| Respirar,
comer, dormir. Ações fundamentais à
sobrevivência de qualquer ser humano podem ser
determinantes na briga por uma medalha em Pequim. E
é por causa disso que a delegação
brasileira receberá atenção especial
antes de embarcar para os Jogos Olímpicos. Os
atletas vão fazer exames - como o que detecta
eventuais dificuldades respiratórias em situações
de esforço extremo, por exemplo - e receberão
orientações sobre como driblar problemas
causados pela diferença de fuso horário,
fenômeno conhecido como jet lag.
Os
testes estão sendo realizados no Centro Olímpico
da Prefeitura de São Paulo por 20 pessoas que
integram o Centro de Excelência Esportiva (Cenesp)
da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A entidade firmou um convênio com o Comitê
Olímpico Brasileiro (COB), que, com o apoio do
Ministério dos Esportes, aceitou a proposta de
avaliar, pela primeira vez no País, a capacidade
respiratória dos esportistas, seus hábitos
alimentares e seu sono.
"Pesquisas
realizadas no exterior (caso de Estados Unidos, Espanha
e Canadá) apontam que de 20 a 25% dos atletas
têm a chamada asma induzida pelo exercício",
explica o diretor do Cenesp, Antônio Carlos da
Silva. "Não é uma doença,
mas uma condição que pode levar a um aumento
do trabalho respiratório." Segundo ele,
tal tarefa extra pode "roubar" energia dos
músculos, provocando queda de rendimento durante
a atividade física ou perda de concentração.
No esporte, onde medalhas são decididas por décimos
de segundo, isso pode fazer toda a diferença.
POLUIÇÃO
Em
Pequim, a questão tem como agravantes os altos
índices de poluição. "A média
de São Paulo é de 50. Segundo apuramos,
em Pequim, ela beira os níveis de 80."
Silva
diz que já examinou 60 atletas de modalidades
como o badminton, judô, pentatlo moderno, tiro
com arco, nado sincronizado e tênis. O trabalho
vai atingir outras equipes - a de atletismo é
uma delas.
A
lista de exames inclui espirometria (teste de função
pulmonar) pré e pós-exercício,
hipoxemia (teste de falta de oxigenação
arterial) induzida pelo exercício e espirometria
pré e pós-uso de broncodilatador. Os atletas
correm em esteiras conectados a uma série de
aparelhos. Não é agradável, mas
ninguém reclama, pois as informações
coletadas podem ser úteis nos treinamentos. "Os
estudos ainda não terminaram, mas até
agora a média de 20 a 25% de casos de asma induzida
pelo exercício tem sido mantida."
Os
atletas que tiverem dificuldades respiratórias
serão monitorados e orientados a consumir alimentos
que ajudem a reduzir os efeitos da asma, como antioxidantes.
"Se for necessário, vamos indicar broncodilatadores.
Tudo será feito conforme as regras do Comitê
Olímpico Internacional (COI)."
SONO
Mas
o trabalho não pára por aí. Também
serão analisados os hábitos de sono e
de alimentação dos atletas, com o objetivo
de diminuir os problemas de jet lag, quando o organismo
fica desajustado por causa do fuso horário. "A
partir da diferença de três horas, a pessoa
já pode sentir os efeitos do jet lag", diz
o diretor do Cenesp. Alimentação correta
e hidratação, de acordo com o médico,
ajudam a reduzir as dificuldades.
Os
atletas também receberão orientações
para evitar desidratação e hipertermia
(quando a temperatura do corpo sobe muito). "No
fim, cada um vai ganhar um manual quase que individualizado
de orientações para evitar problemas."
A
novidade foi comemorada por atletas como Deivlin Balthazar,
do bicicross. "Foi ótimo porque sempre suspeitei
que pudesse ter problemas por respirar muito pela boca.
Vai ser uma boa oportunidade de tirar isso a limpo",
disse o ciclista, que luta pela vaga olímpica.
Segunda-Feira, 03 de Março de
2008
Matéria
retirada da Home Page do O
Estado de São Paulo
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