02/09/2008
Agência
FAPESP – Praticar esportes – ou simplesmente
assisti-los – pode ajudar a melhorar as funções
cerebrais relacionadas à linguagem, de acordo
com um novo estudo realizado na Universidade de Chicago,
nos Estados Unidos.
A
pesquisa foi realizada com jogadores e torcedores de
hóquei, além de pessoas que nunca assistiram
ou jogaram uma partida do esporte. Os resultados serão
publicados esta semana no site e em breve na edição
impressa da revista Proceedings of the National Academy
of Sciences (Pnas).
O
estudo mostra que a região do cérebro
normalmente associada ao planejamento e ao controle
de ações é ativada quando jogadores
e torcedores ouvem uma conversa sobre o esporte. O impulso
ajuda atletas e torcedores a compreender informações
sobre seu esporte, mesmo que no momento da conversa
a pessoa não tenha intenção de
se exercitar.
De
acordo com os autores, o cérebro pode ser mais
flexível durante a idade adulta do que se estimava.
“Atividades não-relacionadas à linguagem,
como praticar ou assistir esportes, têm efeito
positivo sobre a capacidade de entendimento da linguagem
sobre o esporte, precisamente porque as áreas
cerebrais normalmente utilizadas para agir passam a
ficar altamente envolvidas com o entendimento da linguagem”,
disse Sian Beilock, autora principal do artigo e professora
de psicologia da Universidade de Chicago.
“A
experiência de jogar e assistir esportes tem efeitos
duradouros sobre o entendimento da linguagem, ao modificar
as redes neurais que apóiam a compreensão,
incorporando áreas ativas em habilidades ligadas
à performance esportiva”, disse ela.
A
pesquisa poderá ter maiores implicações
para o aprendizado, segundo os autores. “Ela destaca
que a dedicação a uma modalidade ativa
redes cerebrais que não são normalmente
associadas à linguagem e isso melhora o entendimento
da linguagem relacionada àquela atividade”,
disse Sian.
Doze
jogadores profissionais e universitários de hóquei,
oito torcedores e nove indivíduos que nunca haviam
visto um jogo participaram do estudo. Os pesquisadores
pediram que eles ouvissem expressões relacionadas
a jogos de hóquei, como chutar, fazer defesas
e “estar ligado no jogo”. Os voluntários
também ouviram expressões sobre atividades
cotidianas, como “tocar campainhas” e “varrer
o chão”.
Enquanto
os indivíduos ouviam as expressões, seus
cérebros foram monitorados por ressonância
magnética funcional (fMRI, na sigla em inglês),
que permite inferir quais áreas do cérebro
ficaram mais ativas durante a manifestação
da linguagem.
Depois
de ouvir as expressões no aparelho de fMRI, os
voluntários passaram por uma bateria de testes
para avaliar sua compreensão sobre aquela linguagem.
Embora a maioria dos voluntários tenha compreendido
a linguagem sobre atividades cotidianas, os jogadores
e torcedores de hóquei tiveram um entendimento
substancialmente melhor das expressões relacionadas
ao esporte.
O
imageamento cerebral revelou que quando os jogadores
e torcedores ouviram a linguagem sobre o hóquei,
eles mostraram atividade nas regiões cerebrais
normalmente utilizadas para planejar e selecionar ações
físicas bem assimiladas. A atividade aumentada
em áreas motoras do cérebro ajudou os
jogadores e torcedores a compreender melhor a linguagem
ligada à modalidade esportiva.
O
artigo Sports experience changes the neural processing
of action language, de Sian Beilock e outros, pode ser
lido em breve por assinantes da Pnas em www.pnas.org.
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